

Quando alguém do mercado criativo questiona o custo de usar IA no trabalho, a preocupação raramente é só sobre o valor de uma mensalidade. O que está em análise é a margem, o modelo de negócio e a viabilidade das entregas ao longo do tempo.
O preço exibido na página de planos é apenas a camada visível. O custo real se constrói na prática, na iteração constante, no tempo de ajuste, na resolução final exigida pelo cliente, nas regras de licenciamento, no armazenamento de arquivos e na variação de imposto e câmbio. No contexto brasileiro, esses dois últimos fatores deixaram de ser detalhe administrativo e passaram a interferir diretamente na formação de preço de estúdios, agências e profissionais independentes.
O preço das ferramentas de IA para imagem e vídeo também está diretamente ligado à infraestrutura que mantém essas plataformas funcionando: processamento em larga escala exige investimento contínuo, GPU tem custo elevado e recursos como prioridade na fila de renderização, menor tempo de espera, exportação em alta resolução e ampliação de uso comercial entram objetivamente na conta.
Comparar ferramentas, consequentemente, exige olhar estratégico. Mesmo que as tabelas de preço pareçam simples à primeira vista, os modelos de cobrança incluem fatores que influenciam no fluxo de trabalho e na rentabilidade de cada projeto.
Entender o que realmente se paga pelas principais plataformas do mercado implica traduzir essas estruturas e avaliar como cada escolha repercute na margem, no posicionamento e na entrega. Porque, no fim, o valor da assinatura é um dado, mas o impacto dela na rotina criativa é uma decisão de negócio.
A lógica dos créditos em IA: o que você realmente está comprando
Em 2026, a maioria das plataformas de IA criativa deixou para trás o modelo de assinatura fixa e previsível. O que predomina agora é uma arquitetura híbrida que combina mensalidade, créditos de uso e diferentes níveis de prioridade de processamento. Entender essa lógica é importante para evitar surpresas na fatura.
O formato mais recorrente inclui uma cota mensal de créditos ou horas de GPU. Quando essa cota termina, o usuário pode continuar gerando conteúdo, mas entra em filas de menor prioridade, normalmente identificadas como modo Relax ou Standard. A diferença entre esses modos altera o tempo de entrega e, em projetos com prazo apertado, interfere diretamente na dinâmica de produção.
Planos com cobrança anual costumam oferecer um desconto médio próximo de 20%, o que pode representar uma economia que faz diferença para quem utiliza a ferramenta de forma contínua. Quando o uso é mais pontual, a decisão muda de foco, e a liberdade de ajustar o gasto acaba pesando mais do que a previsibilidade.
Existem também os modelos baseados em créditos recarregáveis, pensados para períodos de maior demanda. O Midjourney permite a compra de horas adicionais de GPU fora da cota mensal, que não expiram. Já o Leonardo.ai estruturou o chamado Token Bank, sistema que acumula créditos não utilizados de um mês para o outro, dando mais liberdade para projetos concentrados em momentos específicos.
A categoria “ilimitado” exige leitura atenta. Na prática, quase sempre significa uso ilimitado apenas no modo lento. As gerações prioritárias continuam limitadas por cota. Esse detalhe afeta ritmo, capacidade de iteração, controle de prazo e costuma ser percebido tarde demais, quando o cronograma já foi comprometido.
O preço real das ferramentas de IA para criação de imagens: Nano Banana, Midjourney, Seedream e Recraft
Nano Banana: eficiência como argumento de mercado
O lançamento do Nano Banana 2 pelo Google em 2026 reforçou uma tendência clara: eficiência computacional como diferencial competitivo. O modelo entrega qualidade comparável a geradores mais pesados, mas com custo de processamento reduzido e maior velocidade de resposta, o que impacta diretamente o preço final para o usuário.

No ecossistema Google, o Nano Banana 2 está disponível sem custo em créditos para todos os usuários do Flow, o que o torna o gerador de imagem com menor barreira de entrada do mercado. Para integrações via API, o Google cobra por resolução: em torno de US$ 0,067 por imagem em 1K, chegando a US$ 0,151 em 4K, com desconto de 50% no modo batch para processamento assíncrono.
Para quem precisa de maior qualidade de saída e controle sobre o resultado, o Nano Banana Pro opera com lógica diferente. O acesso se dá via Google AI Pro, plano que custa US$ 19,99 mensais e inclui geração com o modelo Pro, maior limite de uso e acesso prioritário. No Brasil, isso representa aproximadamente R$ 103 mensais no câmbio atual.
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Midjourney: referência estética com precificação em camadas
O Midjourney V7 mantém posição de destaque. A introdução do modo Omni Reference trouxe consistência de personagens e objetos entre diferentes gerações, eliminando horas de pós-produção que antes consumiam tempo técnico considerável. Profissionais que gastavam cerca de duas horas limpando e ajustando projetos agora chegam a cerca de 30 minutos, gerando economia operacional real por entrega.

A precificação do Midjourney é toda em dólar e não há acesso gratuito. O plano de entrada sai por US$ 8 mensais na modalidade anual e oferece geração rápida limitada. O plano Standard sai por US$ 24 e inclui 15 horas de GPU rápida mais modo Relax ilimitado, sendo uma das opções mais viáveis para uso profissional contínuo. Para quem precisa de licença comercial mais ampla, o plano Pro custa US$60 mensais. Empresas com faturamento acima de US$1 milhão anuais são obrigadas a contratar o plano Mega.
Convertendo para reais com o câmbio de março de 2026 em torno de R$ 5,13, o plano Standard fica próximo de R$ 123 mensais, antes de considerar IOF e variações cambiais.

Seedream: precisão para produto e escala
O Seedream se consolidou como uma das ferramentas mais fortes de texto-para-imagem com foco em e-commerce, catálogo e estética com influência asiática. A versão 5.0 Lite trouxe como diferencial a integração de busca na web em tempo real diretamente no prompt, ampliando referência e atualização contextual das imagens.
O modo “Deep Reasoning” é o principal diferencial técnico. Ele permite interpretar cenas complexas com múltiplos elementos sem misturar atributos, mantendo coerência entre objetos, cores e posicionamento. Para moda, varejo e catálogo de produtos, isso reduz retrabalho e aumenta o controle sobre a precisão visual.

O modelo é híbrido, combinando assinatura mensal e cobrança via API.
O plano para criadores gira em torno de US$ 15 mensais. No modelo de API, o custo médio é aproximadamente US$ 0,035 por imagem gerada, o que permite escalabilidade proporcional ao volume de produção.
Convertendo para o Brasil, a assinatura fica próxima de R$ 77 mensais. Pelo uso via API, cada imagem sai em torno de R$ 0,18, dependendo do câmbio e do consumo.

Recraft: a fronteira entre design e IA
Se o Midjourney é sobre estética fotográfica, o Recraft se consolidou como uma ferramenta focada em design gráfico e produção visual com precisão estruturada. Em 2026, seu diferencial não está apenas na geração de imagens, mas na capacidade de produzir vetores nativos, controlar paleta de cores e preservar identidade visual com rigor profissional. Para branding e sistemas de design, ele substitui parte dos fluxos tradicionais com o modelo técnico “Red Panda”.

O plano Pro custa US$ 10 mensais e o plano Teams sai por US$ 55, oferecendo gerações privadas e propriedade total sobre os assets.
No Brasil, o investimento fica em torno de R$ 51,30 no plano individual e R$ 282,15 na versão empresarial.
O destaque técnico está no “Infinite Canvas”, que permite criar composições inteiras em um único espaço de trabalho, gerando ícones, ilustrações e layouts que mantêm coerência visual sem fragmentar o projeto.

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Preço das principais ferramentas de IA para vídeo: Runway, Kling, Luma e Seedance
Runway: intenção cinematográfica
O Runway se consolidou como um estúdio virtual completo no mercado. As séries Gen-4 e Gen-4.5 vão além da geração texto-para-vídeo e incluem captura de performance com o Act-Two e edição avançada com o Aleph. Isso aproxima a plataforma de um ambiente real de pós-produção e amplia o controle sobre movimento e narrativa visual.
No financeiro, o Runway cobra US$ 12 mensais pelo plano de entrada com 625 créditos, US$ 28 pelo plano padrão com 2.250 créditos e US$ 76 pelo Unlimited, sem limite formal de geração. O custo médio por segundo de vídeo na série Gen-3 Alpha gira em torno de US$0,95, o que demonstra que a produção em vídeo com IA exige planejamento orçamentário diferente do aplicado à imagem estática.
Em reais, as mensalidades variam de R$ 61,56 (entrada) a R$ 389,88 (unlimited), com o custo médio por segundo de vídeo girando em torno de R$ 4,87.
Existe também um plano gratuito de demonstração, com 125 créditos, suficiente apenas para avaliação, não para fluxo profissional.

Kling AI: física consistente e longa duração como diferencial
O Kling se destaca em simulação de física realista para humanos, fluidos e objetos em movimento. A geração de vídeos de até 10 minutos com consistência facial é um diferencial para produções que exigem personagens recorrentes, reduzindo a necessidade de ajustes manuais extensos.
O plano de entrada custa US$10 com 660 créditos mensais, já o profissional sai por US$37 com 3.000 créditos. Para agências e operações mais robustas, os valores podem chegar a US$92–180 mensais.
O custo por clipe de 5 segundos varia entre US$0,14 e US$0,28 no modo padrão. No Modo Profissional, com maior fidelidade e qualidade de movimento, cada vídeo consome 35 créditos contra 10 do modo padrão, o que praticamente triplica o custo efetivo por entrega de alto padrão.
Um ponto essencial que muitas vezes passa despercebido: fluxos profissionais raramente acertam na primeira geração. Em média, são necessárias 10 a 15 iterações até chegar a um resultado utilizável. Quando multiplicamos o custo nominal de US$0,14 por esse fator, o valor real por clipe de qualidade pode chegar a algo entre US$1,40 e US$2,50.
No Brasil, isso significa que as mensalidades podem variar de R$51,30 a R$923,40, com o custo real de um clipe de alta qualidade (após a média de iterações) ficando entre R$7,18 e R$12,83. Não é inviável, mas exige cálculo estratégico de produção e orçamento.

Luma Dream Machine: movimento e narrativa com controle técnico
Luma se posiciona como referência para diretores que buscam movimentos de câmera complexos e física de iluminação mais próxima do cinema tradicional. A evolução da Dream Machine ampliou a compreensão espacial do modelo, permitindo entender não apenas o objeto, mas como ele deve se comportar no ambiente tridimensional, reduzindo distorções comuns em vídeos gerados por IA.
O plano Lite custa US$ 9,99 ao mês com 3.200 créditos, mas está restrito a uso pessoal e inclui marca d'água. O Plus, a US$ 29,99, remove a marca d'água e libera uso comercial, sendo o piso real de entrada para quem produz profissionalmente. Para alta demanda, o Unlimited sobe para US$ 94,99 mensais.
No Brasil, isso representa aproximadamente R$ 51 no Lite, R$ 154 no Plus e R$ 487 no Unlimited, dependendo da variação cambial.
Recursos como “End Frame” e “Keyframing” avançado permitem definir início e fim da cena com controle preciso, transformando a IA em uma ferramenta de animação guiada e não apenas geração automática.

Seedance: controle criativo para vídeo com áudio integrado
O Seedance se posiciona como um dos principais concorrentes do Sora e do Kling ao integrar vídeo e áudio de forma simultânea, ampliando o controle narrativo e unificando imagem, movimento e som em um único fluxo de criação.
O diferencial está no Director’s Toolkit, que aceita até 12 arquivos de referência, incluindo imagens, vídeos e áudios, para orientar uma única cena. Isso melhora a consistência visual e reduz falhas em personagens, continuidade e ambientação.

O modelo funciona com sistema de créditos:
Plano Basic custa US$ 18 mensais com cerca de 2.700 créditos.
Plano Advanced custa US$ 84 mensais para uso em escala.
No Brasil, o custo varia aproximadamente entre R$ 92 e R$ 431 por mês, conforme o plano e a variação cambial.

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Hubs de IA: consolidação de ferramentas e custos em um só lugar
Para quem não quer gerenciar múltiplas assinaturas de forma isolada, os hubs de IA surgem como alternativa prática. Eles reúnem diferentes modelos e ferramentas em uma mesma interface, centralizando acesso, controle de créditos e organização de ativos.
Essas plataformas funcionam como camadas de integração sobre modelos já existentes, reduzindo a necessidade de contratar separadamente cada gerador.
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O que começou como banco de imagens evoluiu para um ecossistema completo. Hoje integra modelos como Flux 2 Pro, Kling 2.5, MiniMax e o upscaler Magnific, além do gerador em tempo real Pikaso, reunindo geração, refinamento e banco de assets em uma única plataforma. É uma das opções mais equilibradas para criadores que precisam de volume com custo controlado.

Ele funciona com base em créditos por ação, o que exige atenção. Um vídeo de 9 segundos em HD pode consumir mais de 2.600 créditos, enquanto uma imagem simples varia entre 50 e 500 créditos, dependendo do modelo.
O plano Essential custa US$6 por mês com 7.000 créditos. O Premium sai por US$ 12, mantém os mesmos créditos e libera acesso ilimitado ao banco de assets premium. O Premium+ custa US$ 24,50, com 45.000 créditos e geração ilimitada nos modelos padrão. Já o Pro, por US$ 158,33 mensais, oferece 300.000 créditos e atende demandas em escala.
Convertendo para reais, o Essential fica em torno de R$ 31, o Premium cerca de R$ 62, o Premium+ aproximadamente R$ 126 e o Pro perto de R$ 813 por mês. Para quem já usa a plataforma como banco de imagens, o plano Premium integra IA sem elevar de forma relevante o investimento.

LTX Studio
Focado em narrativa e pré-produção, o LTX Studio funciona como um ambiente de direção, não apenas de geração. Você cria o roteiro, e a plataforma gera o storyboard e o vídeo em sequência, mantendo consistência de personagens ao longo de cenas encadeadas. O recurso Retake permite refazer cenas específicas preservando o mesmo ator virtual, o que elimina o problema de inconsistência entre clipes que afeta a maioria dos geradores de vídeo. A plataforma integra modelos como LTX-2, Flux Premium, Veo 2 e Veo 3.1, variando conforme o plano.

A precificação é baseada em computing seconds, que mede o tempo de GPU consumido por geração. O plano Lite custa US$15 por mês com 8.640 segundos de computação, mas é voltado apenas para uso pessoal. O Standard sai por US$ 35, com 28.800 segundos e liberação para uso comercial, além de acesso ao modelo Veo 2. O plano Pro custa US$ 125 mensais, inclui 90.000 segundos, acesso ao Veo 3.1 e renderização priorizada. No Standard, é possível produzir em média entre 15 e 25 clipes curtos por mês, dependendo da complexidade.
Em reais, o Standard fica em torno de R$ 180 mensais e o Pro perto de R$ 641. O Lite acaba limitado demais para operação comercial, o que faz do Standard a referência mínima para uso profissional.

Flora
Especializado em estilos e modelos customizados, o Flora opera sobre um canvas infinito com sistema de nós, onde cada etapa do processo criativo é conectada visualmente como um diagrama. O grande diferencial está no Style DNA: você treina a IA com a identidade visual de uma marca em um nó específico, e todos os elementos gerados no board seguem aquele estilo de forma consistente, eliminando a aleatoriedade comum em outras ferramentas.
Para quem atende múltiplos clientes, isso significa manter coerência visual entre projetos sem reconfigurar o processo a cada entrega. Entre os modelos disponíveis estão Gemini 2.5 Flash Image, Imagen 4, Veo 3, GPT Image, Runway Gen-4 Turbo e Seedream 4.0.

O plano gratuito oferece 1.000 créditos para teste, sem necessidade de cartão. O plano Starter custa US$ 18 por mês, com 20.000 créditos, incluindo até 1.000 imagens, 100 vídeos e 10.000 textos, com usuários ilimitados. O plano Studio sai por US$ 54 mensais, com 60.000 créditos, 3.000 imagens, 300 vídeos e 30.000 textos. Para operações em escala, o plano Scale custa US$ 200 com 250.000 créditos mensais. Nos planos pagos, os créditos não expiram e recargas avulsas estão disponíveis a qualquer momento.
Convertendo para reais, o Starter fica em torno de R$ 92 por mês, o Studio próximo de R$ 277 e o Scale em torno de R$ 1.026. Para equipes pequenas que precisam de colaboração e controle de projetos, o Starter já entrega uma relação custo-benefício competitiva dentro dos hubs criativos.

O que algumas assinaturas de IA ainda não cobrem
Resolução como variável de custo
A maioria das plataformas cobra mais por saídas em alta resolução. No Pika Labs, renderizar 5 segundos em 1080p consome 18 créditos, enquanto em 720p consome 6 créditos. O aumento é três vezes maior para a mesma duração.
No Kling AI, a diferença entre os modos padrão e profissional vai de 10 para 35 créditos por geração. Já no Luma Dream Machine, acesso a 4K e HDR exige planos superiores. Isso significa que qualidade de exportação não é apenas decisão estética, mas fator direto de custo operacional.
Armazenamento e gestão de ativos
O volume de dados gerado por fluxos de IA em 2026 cresce rapidamente. Estúdios que produzem dezenas ou centenas de iterações por projeto percebem que o armazenamento incluído nos planos pode se tornar limitador.
No Runway, o plano gratuito oferece apenas 5 GB, enquanto o plano Pro chega a 500 GB. Ultrapassar esse limite implica migrar de plano ou contratar soluções externas de armazenamento digital. Isso transforma gestão de arquivos em parte da análise de custo total da ferramenta.
Licenciamento comercial e os custos ocultos da IA
O licenciamento de imagem e vídeo em IA é um dos pontos mais sensíveis e menos compreendidos.
Empresas que faturam acima de US$1 milhão por ano e utilizam Midjourney fora do plano Mega perdem, por contrato, determinados direitos sobre os ativos gerados. No Luma Dream Machine e Pika Labs, uso comercial geralmente está restrito a planos pagos e conteúdos gerados em planos gratuitos não podem ser usados legalmente em campanhas monetizadas.
No Brasil, esse tema ganhou nova camada de complexidade. Contratos de prestação de serviços criativos passaram a exigir comprovação da procedência da IA utilizada e verificação de metadados, alinhados às diretrizes de plataformas como Meta e TikTok. Ignorar essas exigências pode gerar risco contratual concreto.
O fator Brasil na IA: câmbio, tributação e orçamento em moeda estrangeira
Para o criativo brasileiro, o custo das ferramentas de IA não depende apenas da relação direta com a plataforma, mas também de variáveis externas como taxa de câmbio e estrutura tributária.
Com o dólar oscilando entre R$5,12 e R$5,15 em março de 2026, um plano profissional como o Runway Unlimited, de US$76, chega a aproximadamente R$390 mensais antes do IOF. Em cenários de alta cambial, esse valor pode ultrapassar R$420.
Planos que parecem acessíveis em dólar ganham outro peso quando convertidos para reais e analisados em escala anual ou combinados com outras assinaturas dentro do mesmo ecossistema de produção.
A partir de janeiro de 2026, a reforma tributária passou a exigir que plataformas digitais estrangeiras destaquem a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) nos documentos fiscais eletrônicos. A migração do modelo anterior de ISS municipal para o novo IVA representa um custo adicional que tende a ser incorporado ao preço final pago pelo usuário. O mercado ainda está absorvendo essa mudança, mas estúdios e agências já precisam revisar contratos e estruturas de orçamento para considerar essas variáveis na formação de preços.
Ferramentas que permitem faturamento direto em reais, como Adobe Creative Cloud e Canva Pro, simplificam gestão financeira e reduzem exposição à volatilidade cambial.
Para assinaturas em dólar, o uso de cartões multimoeda é uma estratégia comum, pois permite travar o câmbio no momento da compra e evitar oscilações nas renovações automáticas durante períodos de alta do dólar.
Estratégia de investimento em IA por perfil de operação
Com a consolidação dos hubs, a decisão não é apenas sobre qual ferramenta contratar, mas sobre qual arquitetura faz mais sentido para cada perfil. Em alguns casos, o hub substitui múltiplas assinaturas e centraliza o acesso a diferentes modelos em um único ambiente. Em outros, ele funciona como complemento estratégico dentro de um ecossistema já estruturado.
Ferramentas individuais ainda fazem sentido em cenários específicos, especialmente quando oferecem funcionalidades mais profundas, controle técnico mais avançado ou integração nativa com fluxos de trabalho já consolidados. A escolha não é entre hub ou ferramenta isolada, mas sobre como combinar as duas estratégias de forma eficiente.
Freelancers e operações menores
Para um profissional que usa IA como acelerador de produção, a combinação de ferramentas individuais ou a adesão a um hub com acesso a múltiplos modelos pode reduzir a necessidade de assinaturas separadas. O critério principal é volume de uso e versatilidade.
Quem trabalha com menor escala e aceita variações na qualidade de saída pode optar por planos mais econômicos, ferramentas individuais em um plano mais básico, ou por hubs que concentram modelos em um único ambiente, evitando custos fixos elevados.
Agências e estúdios de médio porte
Operações que produzem conteúdo em escala precisam equilibrar qualidade de saída, eficiência financeira e segurança jurídica. Muitas vezes, a estratégia mais racional envolve uma combinação de ferramentas especializadas com um hub para centralizar experimentação e prototipagem.
O investimento mensal por estrutura costuma ultrapassar R$1.000 quando considerados os softwares essenciais e os acessos compartilhados.
Grandes marcas e ambientes corporativos
Para grandes estruturas, o foco sai do preço e passa para a forma como a ferramenta é gerida e integrada à operação. Em operações de maior volume, a prioridade está em soluções com gestão de equipe e controle centralizado, que garantem organização, rastreabilidade e segurança dos ativos criativos.
Nesse cenário, o custo total de propriedade das ferramentas de IA é tratado como infraestrutura tecnológica, com a mesma lógica aplicada a licenças de software, bancos de imagem ou equipamentos de alto desempenho.
Preços da IA para criativos: tendências e projeções
O surgimento de mais modelos eficientes como o Nano Banana 2 e o Sora 2 Flash, sinaliza uma tendência de redução nos preços dos planos de entrada nos próximos 12 meses. Esses modelos entregam qualidade comparável com custo de processamento significativamente menor, pressionando concorrentes a ajustarem suas estruturas de preço para se manterem competitivas.
Ao mesmo tempo, plataformas agregadoras ganham espaço. Serviços como o GlobalGPT oferecem acesso a centenas de modelos, incluindo Midjourney, Kling e Flux, por valores a partir de US$10,80 mensais. Embora não tragam funcionalidades avançadas nativas como o AI Canvas do Leonardo ou o editor integrado do Runway, apresentam alternativa interessante para quem precisa alternar ferramentas sem acumular múltiplas assinaturas.
A aquisição de ferramentas de animação pela Canva nos últimos anos também fortaleceu sua posição como concorrente direta do pacote Adobe em marketing digital. Essa movimentação intensifica a competição e tende a pressionar preços para baixo, especialmente em segmentos de alta escala.
Conclusão: decidir sobre IA é decidir sobre investimento
A pergunta sobre quanto custam as ferramentas de IA para imagem e vídeo não cabe em um número isolado.
O custo real vai além do plano de entrada e pode ficar abaixo do gasto de operar sem estratégia. A eficiência depende de como os créditos são consumidos, da qualidade exigida, do volume de iteração e do risco jurídico envolvido.
O mercado criativo em 2026 não recompensa quem tem acesso à ferramenta mais cara. Recompensa quem sabe qual ferramenta resolve qual problema dentro de qual orçamento.
Discutir custo é, na prática, discutir infraestrutura criativa. Quem decide bem sobre ferramentas decide melhor sobre processos e, consequentemente, entrega melhor, independentemente do orçamento.
As ferramentas mudam, mas a lógica de decisão sobre elas não.
Perguntar quanto custam as principais ferramentas de IA é válido, mas a pergunta madura é outra: quanto custa não compreender o modelo de precificação que sustenta o seu próprio trabalho?
Midjourney, Recraft, Runway, Kling AI e Nano Banana operam com lógicas diferentes de valor. Uns vendem estética, outros vendem segurança jurídica, outros performance ou eficiência.
Para o criativo brasileiro, a análise precisa incluir câmbio, imposto, licenciamento e taxa real de iteração. Ferramenta é uma infraestrutura que exige cálculo, e esse cálculo também faz parte do processo criativo.
Agora que você já tem clareza sobre o custo, o próximo passo é saber o que cada ferramenta entrega por ele. Veja o comparativo completo entre Kling, Veo 3, Seedance e outros modelos de IA de vídeo em uso real.





