Como líderes de sucesso usam IA: estratégia, fluxos de trabalho e rotina executiva

Como líderes de sucesso usam IA: estratégia, fluxos de trabalho e rotina executiva

Como líderes de sucesso usam IA: estratégia, fluxos de trabalho e rotina executiva

29 de jan. de 2026

Human Picks

Staff

A inteligência artificial já ocupa um papel de destaque na rotina de liderança, passando por decisões estratégicas, organização do trabalho, processos criativos e até a forma como pensam, aprendem e se comunicam. O que mudou nos últimos anos não foi apenas o acesso à tecnologia, mas a maneira como os líderes integram a IA ao dia a dia.

Em um cenário de excesso de informação, pressão por resultados e decisões cada vez mais complexas, líderes de sucesso usam a IA como um apoio para pensar melhor. A tecnologia ajuda a organizar ideias, simular cenários, reduzir ruído e ampliar repertório. O julgamento, no entanto, continua 100% humano.

Stacy Spikes, CEO da MoviePass, resume essa virada com clareza: “A IA é como um conselheiro. Não toma decisões por mim, mas amplia minha visão”. Ele consulta diferentes modelos para avaliar situações delicadas, especialmente ao lidar com fornecedores ou equipes em momentos de tensão. Esse hábito mostra que a alta performance nunca foi apenas velocidade, mas consciência, equilíbrio e leitura de contexto, agora potencializados pelo uso inteligente da IA.

 “A IA é como um conselheiro. Não toma decisões por mim, mas amplia minha visão”.

A rotina de líderes de empresas como Microsoft, Netflix, Adobe e Canva revela um padrão claro: a IA funciona como um amplificador do pensamento, abrindo espaço para decisões que exigem julgamento estratégico. É ao observar como esses CEOs usam a tecnologia que se entende por que produtividade e criatividade passaram a caminhar juntas. A reflexão que fica é até onde a IA pode apoiar a liderança sem substituir aquilo que ainda é essencialmente humano.

Como a IA redefine produtividade e criatividade na estratégia e na produção

Bob Iger e a Disney: criatividade como motor da eficiência

Bob Iger, CEO da The Walt Disney Company, defende uma mudança clara de perspectiva ao afirmar que “a criatividade é a nova produtividade”. A frase ajuda a entender o investimento de US$ 1 bilhão na OpenAI e mostra como a IA deixou de ser um apoio pontual para se tornar parte da infraestrutura central da produção de conteúdo.

Iger enxerga oportunidades com IA que ele próprio descreve como “fenomenais”, que vão da melhoria da eficiência operacional até a forma como a Disney produz conteúdo em larga escala. 

Para ele, o potencial não se limita aos bastidores. A tecnologia muda a lógica do consumo passivo para experiências mais interativas e híbridas. Nesse modelo, a IA ajuda a organizar dados e sinais da participação da audiência, apoiando decisões criativas com mais clareza e direção, sem assumir o comando do processo criativo.

Bob Iger, CEO da The Walt Disney Company, defende uma mudança clara de perspectiva ao afirmar que “a criatividade é a nova produtividade”.

Em entrevista à CNBC, Iger destacou que a Disney acredita que a inteligência artificial será uma parte importante do futuro da empresa. Segundo ele, a companhia já utiliza IA em todos os seus negócios e prevê que, com o tempo, ela se tornará um componente essencial de sua operação. Ao mesmo tempo, ressaltou a importância de, nesse processo de adoção tecnológica, continuar respeitando a comunidade criativa e manter atenção aos impactos que a IA pode ter sobre a propriedade intelectual da empresa.

Ao mesmo tempo em que licencia personagens para sistemas de IA como o Sora, da OpenAI, e amplia o uso da tecnologia tanto em sua rotina pessoal quanto nos processos criativos da Disney, Iger reforça a importância de preservar o que chama de “alma artística do cinema”. Para ele, proteger a propriedade intelectual e o contexto criativo segue sendo uma responsabilidade humana insubstituível.

O julgamento executivo, nesse caso, parte de uma premissa clara: a IA pode cuidar da parte operacional e repetitiva, mas o diferencial competitivo segue na visão humana e na integridade criativa. A tecnologia acelera processos e libera espaço na rotina para pensar melhor, mas a decisão sobre o que vale a pena produzir continua nas mãos de quem entende narrativa, cultura e conexão emocional. O foco deixa de ser apenas agir rápido e passa a ser decidir com mais consciência.

Netflix: aceleração de processos e a máxima de Ted Sarandos

Ted Sarandos e Greg Peters, co-CEOs da Netflix, seguem uma lógica prática, moldada pela necessidade de produzir e distribuir conteúdo para milhões de pessoas ao mesmo tempo. Sarandos, com uma trajetória que vai do gerenciamento de locadoras de vídeo à liderança do streaming global, costuma destacar que a IA representa “uma oportunidade incrível para ajudar criadores a fazer filmes e séries melhores, não apenas mais baratos”. A ideia é direta: usar tecnologia para elevar a qualidade narrativa, e não como ferramenta para reduzir custos.

A Netflix já confirmou o uso de IA generativa na criação de cenas em uma de suas produções originais, a série argentina El Eternauta.

O resultado teve boa recepção tanto entre os criadores quanto junto ao público, que se mostrou empolgado com o que viu. Sarandos resume o impacto de forma direta: “É gente de verdade fazendo trabalho de verdade, agora com ferramentas melhores”.

“É gente de verdade fazendo trabalho de verdade, agora com ferramentas melhores”.

Ele também deixa um recado direto para quem lidera equipes criativas: “A IA não vai tirar seu emprego. Quem usa a IA bem é que pode tirar”. A frase troca o medo da substituição tecnológica pela responsabilidade de saber usar a ferramenta com inteligência.

“A IA não vai tirar seu emprego. Quem usa a IA bem é que pode tirar”.

No dia a dia, Sarandos costuma seguir uma lógica simples para decisões estratégicas: 70% dados e 30% julgamento humano. Há, no entanto, um detalhe que faz toda a diferença. Para ele, esses 30% precisam estar no topo.

Ele usa algoritmos para antecipar o que o público pode querer assistir antes mesmo de uma produção sair do papel, analisa taxas de conclusão das séries, observa o intervalo entre episódios assistidos e identifica pontos em que parte da audiência deixa de acompanhar a história. Os dados ajudam a orientar o volume e o ritmo dos investimentos, mas não substituem o processo criativo.

Sarandos deixa isso claro ao afirmar que escolher conteúdos e trabalhar com a comunidade criativa segue sendo uma função profundamente humana. Para ele, tão importante quanto saber ler dados é saber quais deles ignorar.

Greg Peters, por outro lado, foca na integração da IA para melhorar a experiência do usuário e transformar o Netflix em um hábito diário. Ele fala sobre a expansão do uso da tecnologia em buscas por linguagem natural, personalização mais profunda e segmentação de anúncios, incluindo planos para formatos interativos. 

Peters também anunciou o redesenho do aplicativo móvel para 2026, com a incorporação de feeds de vídeo vertical inspirados em Reels e TikTok. A IA passa a operar de forma contínua na organização do conteúdo e na descoberta de novos podcasts em vídeo. A intenção é clara: fazer com que a Netflix se torne parte da rotina diária, em disputa direta com as redes sociais.

O modelo de co-CEO entre Sarandos e Peters se sustenta em uma cultura de transparência e troca constante sobre IA. Peters descreve esse funcionamento como baseado em conversas honestas, altruísmo e foco no que é melhor para a empresa. Sarandos complementa com simplicidade: “A gente discorda, bate cabeça e conversa”. Essa dinâmica permite decisões rápidas sem perder o equilíbrio entre visão criativa e execução tecnológica.

A filosofia da Netflix parte de um entendimento claro sobre o cenário atual. A televisão já não disputa atenção apenas com outros canais, mas com YouTube, Instagram e até eventos esportivos ao vivo. Nesse contexto, a IA ajuda a reduzir barreiras técnicas que antes limitavam produções menores, abrindo espaço para que a força da narrativa prevaleça, independentemente do tamanho da equipe ou do orçamento.

Design acessível: Adobe, Canva e Figma

Shantanu Narayen e a revolução da personalização acelerada

Shantanu Narayen, CEO da Adobe, posiciona a companhia como facilitadora da revolução criativa, onde a IA permite que os criadores se concentrem puramente em suas ideias enquanto a tecnologia cuida da execução mecânica. Ele afirma que "a criatividade está entrando em uma nova era à medida que a IA permite que os criadores mergulhem-se em suas ideias".

Narayen utiliza a IA para impulsionar a estratégia de crescimento da Adobe, focando na democratização do acesso à criatividade. Ele afirma que "todos, seja você um estudante ou a maior empresa do mundo, querem ser capazes de colocar sua marca lá fora com IA". A tecnologia permite "especificar resultados desejados de formas abertas", como reimaginar o layout de uma cena ou adicionar e remover objetos de forma intuitiva em ferramentas como o Photoshop.

A visão de Narayen estabelece quatro pilares essenciais para o sucesso de qualquer iniciativa de IA: criação, ideação, produção e entrega. Ele defende que a IA deve ser integrada de modo que esses pilares funcionem sem sobrecarga tecnológica, garantindo que o refinamento humano e a engenhosidade permaneçam no controle. Narayen prevê que o mercado eventualmente mudará seu foco para a entrega de IA dentro de aplicações específicas, área onde a Adobe pretende escalar significativamente.

Ele afirma que "a criatividade está entrando em uma nova era à medida que a IA permite que os criadores mergulhem-se em suas ideias".

Melanie Perkins e os "AI Walks" que organizam o caos mental

Melanie Perkins, CEO do Canva, exemplifica um uso altamente personalizado e prático da IA no cotidiano executivo. Em 2025, Perkins revelou que um de seus hábitos fundamentais para evitar o esgotamento e aumentar a clareza mental é o "AI Walk". Durante suas caminhadas, ela utiliza AirPods para gravar pensamentos e fluxos de consciência, permitindo que a IA organize essas ideias dispersas em passos acionáveis dentro da própria plataforma do Canva.

Este método de transformar "brainstorming de imagem ampla" em progresso tangível ilustra como líderes estão usando a IA como um assistente cognitivo que reduz a carga de trabalho administrativo. Além disso, Perkins integra a meditação diária com o aplicativo Calm em sua rotina pré-sono, reforçando que a produtividade de um CEO moderno depende de uma gestão rigorosa da saúde mental, que pode ser auxiliada por tecnologia.

O Canva, sob sua liderança, atingiu a marca de 75 milhões de usuários mensais, com criadores gerando 150 designs por segundo. A estratégia "bottom-up" de democratização do design valida a aposta de Perkins em tornar a criação visual acessível sem exigir formação técnica.

Dylan Field vê o design como diferencial competitivo

Dylan Field, CEO do Figma, foca em tornar as ferramentas de design menos intimidantes. Ele discute frequentemente o "problema da tela em branco" e como a IA pode agir como um gerador de hipóteses estéticas, permitindo que o usuário explore uma vasta gama de estilos sem que o sistema imponha um ponto de vista pessoal pré-definido.

A estratégia de Field se baseia em uma premissa algorítmica: "Assuma que os modelos de IA vão melhorar e garanta que isso torne o Figma melhor". Ele argumenta que, à medida que o software se torna mais fácil de construir graças à IA, o design e o "craft" (ofício) tornam-se os principais diferenciais competitivos das empresas.

Field alerta que competir com a IA em mediocridade é inútil. O valor real reside na experiência única, no julgamento e no conhecimento humano que a máquina não pode reproduzir. A IA economiza horas de ordenação manual e organização mecânica, mas a tomada de decisão crítica permanece inerentemente humana.

Tomada de decisão com IA é ter mais contexto e menos impulsividade

Decidir sob pressão sempre fez parte da liderança, a diferença atual está na possibilidade de criar um intervalo entre o problema e a resposta. A IA oferece esse espaço intermediário.

Stacy Spikes, empreendedor premiado, relata um episódio emblemático ao precisar encerrar o contrato com um prestador de serviços. Ele recorreu à IA para explorar diferentes caminhos de comunicação. Um modelo sugeriu uma resposta objetiva e direta, outro propôs uma abordagem mais empática, reconhecendo contribuições anteriores.

A decisão financeira permaneceu a mesma, o tom da comunicação mudou. “Ela me tornou um pouco mais gentil do que eu seria sozinho”, reconheceu. O exemplo ilustra como a IA pode ajudar líderes a evitar reações impulsivas e fortalecer a inteligência emocional.

Esse tipo de uso mostra que a tecnologia não interfere na decisão, mas amplia o repertório de comportamento do líder.

Onde a IA amplia decisões e o humano segue no comando

Marne Martin, CEO da Emburse, faz uma distinção crucial. Segundo ela, a IA funciona especialmente bem quando os dados são limpos e as decisões são repetíveis. Processos financeiros, diagnósticos operacionais e auditorias se beneficiam diretamente.

Já em contextos subjetivos, como conflitos interpessoais, negociações complexas ou decisões que envolvem valores e cultura, a intervenção humana continua fundamental. A IA organiza informações e cenários, mas não substitui a leitura de nuances emocionais e simbólicas.

Produtividade executiva com IA no cotidiano real

Ao observar o uso prático da IA entre CEOs, fica claro que a maioria não a utiliza de forma extravagante, mas estratégica. Sam Altman, CEO da OpenAI, resume isso ao afirmar: “Eu uso a IA de formas bem entediantes”.

Altman recorre à tecnologia para processar e-mails, resumir documentos e estruturar informações. Esse tipo de uso protege tempo e energia cognitiva, liberando espaço para decisões estratégicas.

Satya Nadella, CEO da Microsoft, segue lógica semelhante. Ele utiliza o Copilot para resumir mensagens do Outlook e do Teams, preparar reuniões e apoiar pesquisas. Nadella também transformou seu consumo de informação, fazendo upload das transcrições de episódios de Podcast e conversando com a IA durante o trajeto até o trabalho.

Esse comportamento revela uma mudança importante: a informação deixa de ser consumida e passa a ser debatida, questionada e contextualizada.

Economia de tempo como vantagem competitiva na era da IA

Tim Cook, CEO da Apple, reforça esse ponto ao falar sobre o uso do Apple Intelligence para resumir e-mails longos. Segundo ele, pequenas economias de tempo, quando acumuladas ao longo do dia, da semana e do mês, geram impacto real. “Mudou minha vida”, afirmou.

Nesse contexto, produtividade está menos ligada à quantidade de tarefas executadas e mais à qualidade da atenção preservada.

IA como tutora, pesquisadora e amplificadora de repertório

Além da eficiência operacional, líderes usam IA para aprender mais rápido e explorar novos campos. Jensen Huang, CEO da Nvidia, descreve a tecnologia como um tutor diário. Ele começa pedindo explicações simples e aprofunda gradualmente até níveis avançados.

Segundo Huang, a capacidade da IA de coletar, analisar e explicar informações em linguagem natural reduz drasticamente barreiras técnicas. Em uma analogia provocadora, ele observa que poucas pessoas dominam linguagens de programação, mas praticamente todos conseguem “programar” uma IA usando palavras.

No dia a dia, Huang utiliza ferramentas como ChatGPT e Perplexity para pesquisas complexas, criando estruturas de pensamento antes de aprofundar questões específicas.

Criatividade aplicada à comunicação e influência com IA

A IA também aparece como aliada na comunicação e no refinamento criativo. Glenn Fogel, CEO da Booking Holdings, utiliza modelos de linguagem para analisar vídeos de seus discursos públicos. Ele pede feedback sobre clareza, ritmo e postura.

Em um caso concreto, a IA apontou movimentos de mão que poderiam distrair a audiência. O ajuste final foi uma decisão humana, mas o olhar externo antecipou ruídos de comunicação.

Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn, aplica a IA em situações de alta responsabilidade. Ele afirma que quase todos os e-mails estratégicos enviados a outros CEOs passam pelo Copilot. A ferramenta não redige sozinha, mas conduz um processo estruturado de reflexão, evitando respostas precipitadas.

IA integrada à operação e à cultura organizacional

O uso da IA não se limita ao nível individual, empresas estão integrando a tecnologia aos processos decisórios. O Walmart, por exemplo, utiliza um sistema interno de IA para apoiar colaboradores no diagnóstico de falhas logísticas.

O sistema cruza dados de múltiplas fontes e constrói cenários confiáveis, acelerando investigações complexas. Ainda assim, o olhar humano permanece responsável por avaliar prioridades e consequências.

Esse modelo híbrido demonstra como a IA gera valor quando atua como suporte ao processo, e não como substituta da decisão.

Conclusão: IA não lidera pessoas, você lidera pessoas com apoio da IA

Líderes de sucesso usam a IA no dia a dia como extensão do pensamento, não como substituição da liderança. A tecnologia entra para estruturar decisões, acelerar aprendizados, refinar a comunicação e ampliar repertório, enquanto o julgamento permanece humano.

Os exemplos mostram que produtividade e criatividade avançam quando a IA atua como apoio estratégico. Ao mesmo tempo, eles deixam claro que critérios como responsabilidade, empatia e sensibilidade de contexto não podem nunca ser delegados. Quando gestores usam a IA sem critério e como substituta do diálogo, decisões tendem a se tornar mais frias, rígidas e orientadas ao controle.

A ausência de sinais emocionais, como expressões faciais e tons de voz, ainda limita a leitura das situações e empobrece o enquadramento dos problemas. Assim como a IA organiza e apresenta informações, ela também influencia a forma como decisões são tomadas, o que exige atenção redobrada de quem lidera.

O desafio, portanto, não está mais em só adotar ou rejeitar a tecnologia, mas em como  fazer a integração dela sem permitir que ela empobreça o olhar humano. Em um cenário cada vez mais mediado por sistemas, liderar bem passa menos por dominar ferramentas e mais por entender quando usar a tecnologia, como integrá-la ao repertório humano e, principalmente, quando não delegar o que define a essência da liderança: pessoas falando com pessoas.

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